Na janela do meu quarto observo as pessoas caminhando no final da tarde no calçadão. Alguns caras jogando voley na quadra, crianças brincando no parquinho acompanhadas pela mãe ou provavelmente babá, as meninas passando de bicicleta e sempre o mesmo cachorro a passear sozinho entre as pessoas e às vezes aparentemente parava para me olhar lá de baixo. Ao fundo, logo após o manguesal, o Rio Sergipe com suas águas tranquilas refletindo os últimos raios de sol que o alcançavam. Na avenida percebo Isaac chegando no corsa preto a poucos dias emplacado. Antes de entrar com o carro no condomínio, achei ter o visto buzinar e aquele cachorro latir como resposta, pular e abanar o rabo, demonstrando alegria. Após alguns minutos ele chega no apartamento e vai direto bater na porta do meu quarto, entrando em seguida.
Era a última sexta de minhas férias e até então eu não havia saido para nenhuma balada. Eu curto a noite, mas desde que chegara em Aracaju eu não tinha vontade. Diferente de mim, todas as sextas são sagradas para Issac, e todas às vezes o cara me chamava. Desta vez não foi diferente:
- Poxa Lih, as férias todas e você não se divertiu nem um pouquinho! Vamos hoje comigo?
Pela primeira vez eu aceitei. E essa aceitação me fez surpreender com a expreção de grande satisfação em Isaac, que após combinarmos o horário, saiu do quarto quase que salteando.
Voltando para janela, o cachorro desta vez se encontrava bem na direção do prédio, olhando fixamente para mim. Depois de uns minutos, vejo Isaac saindo do condomínio, atravessar a avenida, chegando no calçadão, na direção do cachorro que já havia voltado a latir, a pular e abanar o rabo. O mané me pareceu oferecer algo para o cão, agora lambendo sua mão. E após Isaac dá uma esfregada nos pêlos de sua cabeça e costas, o animal saiu correndo demonstrando felicidade maior que antes.
Depois da cena, quando Isaac voltou ao apartamento. Questionei de quem era ou de onde ele conhecia aquele cachorro. Ele responde em tom de gozação:
- Aquela cadelinha é uma amiguinha que eu fiz pela rua. Não sei de quem é, mas acho que tem dono sim, por ser bem tratada. Então? Vamos nos cuidar para sairmos?
Confirmei em silêncio com a cabeça e erguendo os ombros, deixei o assundo de lado.
Lih Petrus




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